Por que diabos eu gosto de Michael Bublé? Eu sei que as pessoas acham ele cantor para adolescentes (o que fica bem claro nos shows dele), mas... Ele canta os standards do jazz. Ele tenta manter uma certa tradição nas músicas dele. Tem coisa que não consigo ouvir dele, mas a versão dele de "I've got the world on a string" é sensacional. Até as músicas mais pop, como "Everything" ou "Home" são bonitas.
Vejo um cantor cada vez mais maduro e que encontrou seu nicho. Ele sabe que é um cantor pop, mas que pode se permitir estar perto de Frank Sinatra, Tony Bennett ou Perry Como. Óbvio que ele não vai cantar só os standards, mas ele está ali sempre, flertando, subvertendo clássicos do rock como "Crazy Little Thing Called Love" do Queen e "Can't Buy Me Love" dos Beatles ou do Soul, como "Feeling Good", na voz de Nina Simone ou "How Sweet It Is" na voz de Marvin Gaye (originalmente do James Taylor). Ele está ali, sendo agradável com sua voz suave, seus scats, sua presença de palco. Dá pra ver como ele interage bem com a platéia, algo que Sinatra fazia muito bem.
Eu tinha uma certa vergonha de falar que ouço (e gosto muito do Bublé), mas e daí? O cara, como dizem em inglês, é o pacote completo. Tem uma voz bonita, gosta de inovar (ainda que dentro da roupagem pop), arrisca aqui e ali no jazz. Um crooner dos tempos modernos.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
domingo, 5 de setembro de 2010
Rock com Ciência
Ajudando a divulgar o programa de rádio de um colega do Clube Cético (o Rubens, vulgo Zaphod Beeblebrox): http://biociencia.org/rockcomciencia/?p=49
Aí você pode baixar o podcast do programa e ver quem são os apresentadores.
Eu ouvi e gostei bastante. Um clima muito leve e uma bela idéia do que é a ciência, algo que eu realmente sou apaixonado, apesar de não ser um cientista e nem almejar ser.
Aí você pode baixar o podcast do programa e ver quem são os apresentadores.
Eu ouvi e gostei bastante. Um clima muito leve e uma bela idéia do que é a ciência, algo que eu realmente sou apaixonado, apesar de não ser um cientista e nem almejar ser.
sábado, 4 de setembro de 2010
O futebol que de foot só tem 3 lances - parte 1 - resumo do jogo

Sei que é clichê falar o "futebol da bola oval", por isso não vou falar sobre isso. Porradaria, gente correndo, trogloditas esmagando jogadores menores. Aí vem um cara e joga a bola longe, alguém recebe e saí correndo para chegar perto da trave em formato de "Y". Aí todo mundo comemora, entra um cara para chutar a bola. Aí chutam a bola, todo mundo corre pra pegar o cara que vai receber ali na frente. E de repente, depois de algumas pancadas, porradas, jogadas, entra de novo o cara do chute, mas desta vez vale 3 pontos. Que diabos é isso?
Bom, eu costumo chamar o futebol americano de xadrez com toques de crueldade. Sério. Pra quem não conhece o esporte, só deve parecer o que está acima mesmo. Mas quem começa a acompanhar a sério, começa-se a entender todo o aparato que compõe uma equipe e quantas pessoas estão envolvidas em apenas um jogo. Vou dar alguns números de uma equipe da NFL (National Football League):
- 53 jogadores compõe um elenco, entre ataque e defesa
- 45 jogadores são "ativados" para uma partida, sendo que existe uma exceção para o quarterback no 4o período, caso os outros dois se contundam.
- além destes jogadores, as equipes podem ter mais 8 jogadores no que é chamado de "Practice Squad", que seria um banco de jogadores jovens que a equipe pode dispor durante a temporada tanto para o desenvolvimento do jogador, quanto para eventuais substituições na equipe titular.
- toda equipe tem um treinador principal, um treinador para o ataque, outro para a defesa e mais um para as equipes especiais. Além deles, existem treinadores específicos para cada posição, que podem chegar a mais 8.
- o teto salarial de cada equipe na temporada 2009 foi de US$ 128 milhões, divididos entre esses 53 jogadores.
Ou seja, é gente e grana que não acaba. E a NFL ainda é a liga mais valorizada de todas as principais nos EUA (NBA, MLB, NHL, MLS). Mas afinal, do que trata o esporte?
O objetivo principal de uma equipe de futebol americano é obter o maior número de pontos durante o jogo dividido em 4 quartos de 15 minutos. Para tanto, existem algumas maneiras:
- o famoso "Touchdown", que confere 6 pontos a equipe anotante, com direito a um ponto extra obtido por um chute por entre a trave de "Y" ou a chance de anotar 2 pontos, tentando uma jogada qualquer. O touchdown é qualquer jogada ofensiva ou defensiva em que a equipe consegue chegar àquela área próxima a trave de "Y" da outra equipe, a chamada "End Zone".
- o "Field Goal", que são 3 pontos, pois a equipe chega a uma situação que ela não consegue atingir a end zone e decide chutar por entre a trave em "Y" do lugar de onde está. Obviamente isso só é possível se seu kicker (chutador), tiver força e mira suficiente para acertar. Não adianta querer chutar a partir de seu campo, pois o recorde atual da liga é 63 jardas e poucos conseguem passar de 60. Normalmente, o alcance de um kicker fica entre 50 e 55 jardas, com ajuda do vento.
- o "Safety"(não confundir com a posição): o safety é algo raro de acontecer, mas é possível. Acontece quando um jogador do time que está com a bola é derrubado em sua própria end zone. Com isso, a equipe defensora recebe 2 pontos e a posse de bola.
Falando em posse de bola, a dinâmica de jogo seria mais ou menos esta:
- as equipes tiram um cara-ou-coroa para decidir que equipe começa recebendo ou chutando.
- uma equipe chuta a bola, o chamado "kickoff", que dá início à partida. Temos então a equipe que chuta e a equipe recebedora. O time que recebe vai fazer o possível para permitir que o jogador que recebeu a bola possa avançar o máximo possível em direção ao campo adversário e a equipe que chutou vai fazer o possível para tentar evitar esse avanço. A partir do momento que o jogador que recebeu e tentou avançar é derrubado, o ataque começa a partir daquele ponto. Porém, se ninguém conseguir derrubar o recebedor e ele conseguir chegar até a end zone adversária, é um touchdown.
- caso o jogador tenha sido derrubado, começa o ataque da equipe que recebeu primeiro. Como dito anteriormente, o objetivo primordial é marcar mais pontos e o touchdown é a maneira mais fácil de se obter isso. Porém, em um campo com 100 jardas nem sempre é possível conseguir tudo em apenas uma jogada. Por isso, o primeiro objetivo dentro da partida é conseguir obter 10 jardas em 4 jogadas. Parece simples, mas se após essas quatro jogadas você não conseguir avançar, você tem que dar a bola para o adversário onde você estiver. Ou seja, você pode ter que defender-se do ataque adversário em uma posição de campo terrível. Por isso, o habitual são 3 jogadas para tentar avançar e se não for possível, a equipe que está atacando devolve a bola para o adversário através de um chute muito longo e alto chamado "punt", no qual o "punter" pega a bola com as mãos e chuta, ao contrário do kickoff e do field goal, que são chutados a partir do chão.
- caso o ataque consiga avançar as 10 jardas em 3 jogadas, a equipe vai indo em frente até chegar na end zone adversária. Obviamente a equipe não precisa pensar em atacar de 10 em 10 jardas apenas. Como sabemos, o objetivo é o touchdown e passes longos e corridas em velocidade são sempre bons meios para conseguir mais do que 10.
- caso a equipe que está atacando não conseguir atingir 10 jardas em 3 jogadas, mas a distância seja o suficiente para que o kicker possa entrar e chutar entre a trave em "Y", a equipe tenta o field goal na 4a jogadada. Se conseguir, 3 pontos. Se não, a equipe adversária vai para o ataque no ponto que o chute foi dado.
- porém, sendo anotado um field goal ou touchdown, a equipe que pontue dá a bola então para o adversário fazer seu primeiro ataque, novamente na forma de um kickoff.
- E por aí vai. Tudo MUITO resumido, é claro.
Aqui, um pequeno exemplo de jogadas. Um highligh de San Francisco 49ers x Minnesota Vikings da pré-temporada de 2010 no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=s2gUjxHoZ9o
E logo posto mais. Ainda quero falar das formações ofensiva e defensiva, bem como as posições.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
O Fenômeno OVNI
Reconheço que não sei muito do que acontece neste mundão, mas não sou de aceitar tudo de cara. Depois que aprendi o que é a Navalha de Occam, aí é que deixei de aceitar as explicações estapafúrdias, ao invés das mais simples.Eu sou cético. Na verdade, sou cético com aquilo que não se pode provar. E aí ao trocar de canal e ver o History Chanel, vi a argumentação usada para o "fenômeno OVNI" e... é a mesma para a existência de deuses, mitos, sacis, fadas, curupira, filho de prostituta chamado Junior!
A Navalha de Occam diz que a resposta mais simples costuma ser a certa. Não que isso seja uma verdade absoluta, mas convenhamos. Você vê imagens nas cavernas, paredes, pirâmides, de seres bizarros e esquisitos. Você lê textos sagrados e/ou históricos falando que eles viram seres vindo dos céus. Qual a explicação usada? É claro, lenda pura. Histórias sobre heróis e seres de super poderes (Joseph Campbell pode ser um começo, com seus estudos sobre o herói mítico) sempre fizeram parte de todas as culturas. Ou alguém acha que Aquiles existiu do jeito que Homero descreveu?
O problema de se atribuir esses "relatos" (até porque foram escritos há mais de 6 mil anos), a extra-terrestres e/ou deuses é que estranhamente não vemos isso acontecer mais. De repente, parece que o avanço tecnológico e científico destruiu os meios pelos quais esses seres se comunicavam conosco. O fato de existirem histórias e desenhos descrevendo dilúvios, seres vindos do céu, mitos de criação, simplesmente não tornam isso real. O fato de não sabermos como interpretar ou o que nossos antepassados queriam dizer, não nos permite usar isso como evidência de nada. Tudo que vier a partir disso, é pura especulação.
O desenho de uma pessoa usando algo que parece um capacete, é apenas a maneira que nós interpretamos aquilo. E se nossos antepassados tinham rituais que envolviam usar melancias ou abóboras na cabeça? Vai lá saber que tipo de goró eles tinham há 6 mil anos atrás, já que o vinho tem essa idade. O cara vai, enche a cara, fuma alguma erva ou mesmo está sofrendo de uma febre de 40 graus e vê alguém voando e resolve escrever ou desenhar o "avistamento". Por que minhas "teorias" fariam menos sentido que extra-terrestres?
Nós não entendemos muitas coisas e continuamos a buscar no "mundo lá fora" essas explicações, ao invés de valorizar nossa espécie como vencedora. Dizer que extra-terrestres construíram monumentos ou foram os responsáveis pelo conhecimento que temos hoje é simplesmente jogar no lixo toda nossa evolução e esforço. É ignorar que tivemos milhares de anos para chegar aqui e que as coisas não surgiram do nada. O quanto se passou em diversos lugares ao mesmo tempo que permitiram o surgimento da escrita e da história.
E pra terminar por ora... Os extra-terrestres de hoje não tem mais o que fazer do que fazer círculos em plantações ou abduzir pessoas para experiências de cunho sexual?
quinta-feira, 29 de julho de 2010
A arte de não ser mais um - Cyndi Lauper (ainda!)

Não tenho ídolos, só admiro certas características humanas. É gostoso admirar os outros, faz bem para o espírito. Até criaturas escrotas são capazes de atitudes admiráveis - pontuais, vá lá, mas são.
Enfim, pensava na capacidade que algumas pessoas têm de se reescrever e na coragem necessária para inserir o novo na prática. Lembrei do último post, sobre a Cyndi Lauper. Taí um exemplo de quem fugiu da banalidade.
Ela poderia ter aproveitado a moda do revival dos anos 80 para relançar os grandes hits que a tornaram conhecida. Se continuasse no pop, teria os saudosistas fiéis e mais uma penca de novas "garotas que querem apenas se divertir". Ganharia uma grana sem grandes esforços e depois sumiria de novo. Também poderia achar que está velha e entrar numas de autodestruição pra apressar a morte iminente. Ou fazer bolo para esperar os netos na velha casa, cercada por velhas paredes cheias de velhos posteres, onde contaria velhas histórias do tempo em que nem pensava em envelhecer. Tantas opções cômodas!
Mas ela escolheu o risco.
Aos 57 anos, Cyndi rejeitou a via reta do caminho conhecido. Abriu mão da segurança e não se contentou em ser cover do que foi aos 20 anos, nem quis explorar o estilo pelo qual ficou famosa. Foi além. Largou a batidinha lixo das musicas inocentes que cantava, investiu numa banda de verdade e modulou sua voz ao swing do blues.
A postura da Cyndi Lauper - muito mais do que maquiagem ou outro adereço externo - faz com que ela se destaque entre milhões de seres da mesma espécie.
Inspire-se!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Cyndi Lauper : Memphis Blue
Fase musical "pop": a mente pede, eu dou. Aí me deparo com Cyndi Lauper, musa pop dos anos 80, cantando...blues!Amo blues, acho a Cyndi Lauper super divertida, sou curiosa...Impossível não ouvir o álbum!
E não é que a moça leva jeito? Ok, nem tão moça, mas muito atual. A voz casou bem com o estilo, amadureceu e só em alguns agudos lembra o timbre adolescente de "Girls just wanna have fun". E ela fez bonito mesmo cantando com feras do blues e R&B - que, por sinal, só enriqueceram o trabalho.
A banda parece ter sido escolhida a dedo, uma delícia!
Tudo flui muito harmonioso, redondinho. Um álbum caprichado, para ser ouvido sem preconceito.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Our Man in Jazz
Atendendo a pedidos, de onde vem o nome deste blog?
Estávamos pensando em criar um blog em conjunto onde pudéssemos postar assuntos de interesse comum. E claro, nunca surge um nome ou uma idéia legal.
Certo dia, estava ouvindo um álbum que obtive no JazzMan, de um de meus saxofonistas favoritos ( se não o favorito), Sonny e o nome do álbum era "Our Man in Jazz". E daí para surgir essa brincadeira que virou o nome deste blog, foi um pulo. Um bom álbum de jazz, coisas que gosto, coisas que minha amada gosta e coisas que coisamos juntos.
Se tiver curiosidade, esta é a capa do "Our Man in Jazz" original":

E estas são as músicas:
1 - Oleo
2 - Dearly Beloved
3 - Doxy
4 - You Are My Lucy Star
5 - I Could Write a Book
6 - There Will Never Be Another You (adoro esta)
E este é o link para a Rádio UOL onde dá para ouvir as músicas: http://www.radio.uol.com.br/#/volume/sonny-rollins/our-man-in-jazz/16457?action=search
Estávamos pensando em criar um blog em conjunto onde pudéssemos postar assuntos de interesse comum. E claro, nunca surge um nome ou uma idéia legal.
Certo dia, estava ouvindo um álbum que obtive no JazzMan, de um de meus saxofonistas favoritos ( se não o favorito), Sonny e o nome do álbum era "Our Man in Jazz". E daí para surgir essa brincadeira que virou o nome deste blog, foi um pulo. Um bom álbum de jazz, coisas que gosto, coisas que minha amada gosta e coisas que coisamos juntos.
Se tiver curiosidade, esta é a capa do "Our Man in Jazz" original":

E estas são as músicas:
1 - Oleo
2 - Dearly Beloved
3 - Doxy
4 - You Are My Lucy Star
5 - I Could Write a Book
6 - There Will Never Be Another You (adoro esta)
E este é o link para a Rádio UOL onde dá para ouvir as músicas: http://www.radio.uol.com.br/#/volume/sonny-rollins/our-man-in-jazz/16457?action=search
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