Por que certas músicas parecem grudar na gente? Eu como tenho fases com música, estou que não paro de ouvir Gloria, com o Doors. A letra, jorrando erotismo e sexo puro e do bom. Jim Morrison com aquela voz rouca e jeito sensual de cantar. E a banda, tocando com energia... É libído, Mojo Risin', tesão. Fico doido ouvindo uma música que nem é do Doors, só um cover. :)
Como acontece com Bad Day, Supernatural Superserious, Cuyahoga, Pop Song 89 do REM; Where the streets have no name, One e Stay (Faraway, So Close), Bad, do U2; Eight Days a Week, Revolution, Across the Universe, dos Beatles; Don't Stop me Now, Somebody to Love, do Queen; So Lonely, Synchronicity II, do The Police; Back on the Chain Gang, dos Pretenders; I'm a Believer, com o Smash Mouth; You Really Got Me e All Day and All of the Night, dos Kinks; N.IB, Sabbath, Bloody Sabbath, do Black Sabbath; Closer to the Heart, Limelight e The Spirit of Radio do Rush; Rock n' Roll, Whole Lotta Love, Good Times, Bad Times, D'Yer Mak'er, Over the Hills and Far Away; do Led Zeppelin; Axis (Bold as Love), Fire, do Hendrix; Tonight, Tonight, do Smashing Pumpkins; além, claro das várias do Doors, como Touch Me, Hello, I Love You, Love me Two Times, Not to Touch the Earth, The End, L.A. Woman, e por aí vai.
Uma listona gigante, mas nem todas são grandes sucessos das bandas. No fim, é só aquela coisa de "Caramba, o que essa música faz comigo????"
E tem outra: Doors ao vivo é imbatível. Não tem banda que toque melhor. Qualquer música sem graça vira algo maravilhoso. Estou ouvindo Soul Kitchen e a versão de estúdio não chega nem perto. Além disso, você não sabe o que esperar do Jim...
Fim do post inútil.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Queria receber uma carta

Queria receber uma carta. Não uma conta, um aviso, um bilhete, tampouco um convite. Uma carta mesmo! Carta de amigo, do tempo em que a informação não era expressa.
Nada contra a internet, eu a utilizo bastante. Nem digo "como eram bons os tempos das cartas!". Os tempos podiam não ser necessariamente bons, mas as cartas o eram.
Para escrever uma carta, é preciso parar.
Atividade artesanal, diferente do mais longos e elaborados e-mails. Escrever uma carta exige introspecção. É necessário ter em mente detalhes do destinatário; pensa-se nele, em suas características; imagina-se sua reação ao receber o que foi escrito e se saboreia a amizade, o amor. É um momento dedicado ao destinatário, exclusivamente a ele e a mais ninguém, o que o torna especial. Tem de ser escrita à mão, sem pressa, frase por frase: na letra está um pouco do espírito de quem escreve. Nas entrelinhas ela diz: amigo, dediquei este tempo somente a você pela sua importância. Então cuidadosamente são selecionados momentos pessoais a serem partilhados. Partilhar...tão bonito! Contamos a quantas anda a vida, quem conhecemos, de quem nos afastamos, quem se afastou de nós, como nos sentimos; segredos indevassáveis, acontecimentos corriqueiros que deveriam obrigatoriamente ter a participação daquele a quem escrevemos, mas que por circunstâncias variadas não está conosco. Damos um pouco de nós. Chega o momento da despedida e vai via correio um abraço e um beijo em forma de palavras. Dobra-se cuidadosamente a carta.
Adolescente, costumava fazer dobraduras esdrúxulas, possivelmente para mostrar originalidade ou aumentar a expectativa de quem fosse ler. Na época não tínhamos tanta pressa; podíamos nos dar ao luxo de pensar em como decifrar o enigma daquelas dobras no papel; abri-lo de modo a não corrompê-lo e garantir a leitura integral do conteúdo,sem rasgos. Se fosse folha de caderno, por consideração e capricho, se fazia indispensável retirar as franjinhas.
Era hora de sobrescritar o envelope, fechá-lo com cuidado, se possível colar um adesivo ou uma figura bonitinha na frente, pequeno mimo para quem recebe. Aí era só por o selo e levar ao correio...ou encontrar uma caixa amarela que magicamente levaria um pedacinho de nossa alma à pessoa querida. Pronto!
Lembro-me bem do horário em que o carteiro passava. Um senhor sorridente, com bigodão ruivo à la Leôncio. Ele também me conhecia; sabia da minha expectativa e quando me via no portão já sinalizava de longe se havia ou não carta para mim. Por muito tempo esse foi o homem que mais esperei. Literalmente! Como não esperá-lo se na sua sacola, entre centenas de correspondências, poderia estar também uma parte da história cotidiana do meu amigo? Um amigo que realizou o mesmo processo que eu, para quem por instantes fui única e especial, com notícias levadas tão a sério quanto qualquer acontecimento passível de mobilizar nações e chefes de Estado.
Enfim desfrutar o prazer de ler e a certeza de que, naquele instante, tudo fazia sentido.
*Para Mirela, com carinho.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Convenções
Não sei por que a festa em torno da virada do ano. Longe de ser pessimista, acredito que a celebração deve acontecer todos os dias possíveis. Um ano é apenas uma convenção, uma medida de tempo criada pelo homem. Nada mais. Merecem champanha e fogos o sorriso da minha filha, o abraço que recebo dela ao acordar...tão sincero!... deitar no colo do meu marido, tomar café com ele batendo papo, conversar com minha mãe ao telefone, rir com a minha irmã, contestar meu irmão, ser contestada por ele e nos divertirmos com isso, falar palhaçadas ou futilidades com as minhas cunhadas, ver minha filha e meus sobrinhos crescendo saudáveis, lindos, espertos, inteligentes, engraçados, fofos...
O AMOR merece ser comemorado, desfrutado e agradecido. Com fogos e champanha (por que não?), a todo e qualquer momento.
O AMOR merece ser comemorado, desfrutado e agradecido. Com fogos e champanha (por que não?), a todo e qualquer momento.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Previsões de Mãe Alessandra e Pai Fabiano para 2010

- queda de avião abalará o mundo;
- um líder político será assassinado;
- terremoto matará milhares de pessoas;
- enchentes destruirão cidades do Brasil;
- furacão arrasará a Costa do Caribe;
- artista famoso passará por momentos difíceis;
- o Brasil perderá um de seus grandes ídolos;
- cantora famosa dará a luz a gêmeos;
- Ivete Sangalo lançará novo hit no verão;
- bloco de Daniela Mercury será um dos mais animados do Carnaval de Salvador;
- o Palmeiras contratará grande nome do futebol brasileiro;
- haverá um choque entre dois trens na Ásia;
- um mega-atentado ocorrerá na Faixa de Gaza;
- bolsa de valores de grande país asiático sofrerá queda, abalando a economia mundial;
- a proximidade entre Júpiter e Vênus modificará os acontecimentos em nosso planeta;
- gigante da informática adquirirá companhia de tecnologia emergente;
- um político será alvo de escândalo;
- Lula apoiará Dilma na sucessão presidencial;
- Papa Bento XVI terá problemas de saúde;
- será descoberto um grande esquema de corrupção no Senado;
- Obama visitará país do Oriente Médio;
- Roberto Carlos fará seu especial de final de ano próximo ao Natal;
- um africano vencerá a São Silvestre;
- o ano no Brasil começará somente após o Carnaval;
- reunião de líderes mundiais debaterá temas ecológicos em cidade européia;
- Xuxa lançará filme "infantil";
- Osama Bin Laden enviará vídeo à tv Al Jazzera;
- Bromélia lançará Galinha Pintadinha II;
- inovação tecnológica causará furor entre os geeks;
- queima de fogos em Copacabana será a maior do século;
- Renato Didi Aragão continuará no cargo de embaixador do Unicef;
- NASA enviará tripulação ao espaço;
- Índia e Paquistão entrarão em atrito por conta de questões nucleares;
- azul ciano, amarelo-gema e fúcsia serão as cores regentes de 2010.
domingo, 29 de novembro de 2009
Viva a porquice!
Não, não estou a fim de ser formal ou elegante ao escrever. Meu negócio hoje é reclamar - se bobear sai até um palavrão...pra você! hehehe A última parte foi brincadeira :D
Agora é sério:
1* Chegou o verão, muito sol, calor, sorvete, praia, piscina, pouca roupa...Assim como ninguém se lembra da gripe A, também se esqueceram de lavar as mãos e o álcool em gel deixou de estar disponível. Higiene, mesmo, só em caso de epidemia.
2* Entre todas as barbeiragens e trangressões no trânsito, a mais sacana é estacionar em vaga de deficiente. O pior é quando há outras vagas livres e a pessoa vai, sei lá com qual motivação, e estaciona na vaga preferencial. Sem comentários.
Agora é sério:
1* Chegou o verão, muito sol, calor, sorvete, praia, piscina, pouca roupa...Assim como ninguém se lembra da gripe A, também se esqueceram de lavar as mãos e o álcool em gel deixou de estar disponível. Higiene, mesmo, só em caso de epidemia.
2* Entre todas as barbeiragens e trangressões no trânsito, a mais sacana é estacionar em vaga de deficiente. O pior é quando há outras vagas livres e a pessoa vai, sei lá com qual motivação, e estaciona na vaga preferencial. Sem comentários.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Agora entendo Richard Dawkins
Durante todo meu processo de desconversão das religiões e do conceito de deus (estou devendo um texto sobre isso), uma das coisas que sempre pensei foi: "Não vejo porque os outros precisem saber e agora que não tenho mais a crença, não quero fazer como os religiosos e sair por aí 'pregando' a não existência de seres mitológicos ou qualquer outra coisa não provável".
Só que por todo o tempo de minha vida que passei acreditando em deus e o tanto que tive de crenças, valores, preconceitos entranhandos, uma das coisas que faço até hoje é ler sobre a não-crença. Adoro visitar sites sobre ateísmo e/ou ceticismo, como atestado nos meus sites favoritos deste blog. Faço isso porque não acho que o misticismo responda as questões que tenho e mesmo que não tenha uma resposta definitiva, é lendo sobre ciência e filosofia que vou conseguir ao menos entender um mínimo sobre existência, universo, mundo, ser humano, além de poder compartilhar com outros ateus e agnósticos este ponto de vista que ficou sempre relegado à margem da sociedade. Agora, temos lugares para ler, discutir, compartilhar. E o que acontece?
Sim, os crentes (no sentido daqueles que creem), entram nestes sites para fazer proselitismo. Citam a Bíblia, falam de inferno, falam de Jesus, de recompensa, de paraíso. Entram para falar de Criacionismo, Design Inteligente, sobre os "furos" da Teoria da Evolução, do Big Bang. Adoram falar mal do que a ciência conquistou e avançou gigantemente nos últimos 200 anos. Só que... Pra que fazer isso num site de ateus? No fim, é divertido responder a esse tipo conversa, mas é um site de ateus, a maioria ex-religiosa, pessoas que viram que a religião não respondia nada além do surrado "Foi porque Deus quis assim".
Aí eu entendo porque o biólogo Richard Dawkins, um dos grandes nomes do ateísmo, diz aos ateus para "saírem do armário" e ainda: que militem e exijam respeito a não crença. Pois quando a religião é aplicada apenas dentro das igrejas e individualmente, ela não é um problema. Mas quando ela é levada em lugares que ela não cabe, isso passa a ser abuso. Isso passa a ser desrespeito. Para muitos crentes, é inadimissível que existam pessoas que não compartilhem de suas crenças, como se isso fosse impossível. Aí eles acham que é obrigação levar a palavra de seus deuses para os outros. E como estamos no Brasil, estamos falando dos cristãos. Paulo, em seus devaneios doidos, diz que os cristãos tem que fazer tudo para pregar a palavra de Jesus pelo mundo (mentir, inclusive), não importando se os outros já passaram por isso e exatamente por isso não querem mais ser importunados.
Se um ateu quer ler ou escrever sobre religião, é apenas um gosto que ele tem, assim como eu escrevo sobre música, sobre a pequena, sobre a Discovery Kids. Mas para alguns, isso é só uma "crença ressentida". Por isso, digo e abertamente: não tenho crenças. Já tive, sofri muito, especialmente com o conceito de "pecado", passei por fases horrorosas de dúvidas, medo e desconversão e hoje sou muito feliz e continuo a mesma pessoa, acho que até mais integro, já que faço as coisas porque acho que é o melhor para mim ou minha família, não por medo de pecado ou achando que vou para o paraíso.
Não quis me tornar ateu. Isso foi algo que aconteceu. Não cheguei um dia e disse: "Hoje vou deixar de acreditar em deus". Só quero que respeitem a mim e todos os outros que tem que aguentar comentários como "Ah, como alguém pode viver sem deus...", "Você sabia que Hitler era ateu", "Os maiores assassinos da história, Mao e Stalin, eram ateus", "Um ateu não tem moral ou ética por não acreditar em Deus", "Que valores uma sociedade atéia poderia passar aos cidadãos?", "Ateus não são pessoas felizes porque não tem deus no coração" e tantas, mas tantas outras que posso dizer que essas são leves. Tem as ameaças ou pragas também, como "Quero ver quando alguém da sua família ficar doente se você vai continuar a ser ateu..." ou, "Deus sabe o que faz. Ele vai estar te esperando na sua morte". Pérolas do amor cristão, como podem ver.
É isso. Só quero respeito e que acreditem no que quiserem, mas fiquem longe de mim. Não preciso de muletas, não quero preencher lacunas com figuras místicas e não tenho o menor interesse em voltar a uma igreja ou ter uma religião nova, porque meu cérebro simplesmente não aceita mais esse tipo de coisa. Para mim, agora é: "Prove que algo existe ou nem precisa começar uma discussão. Aquilo que não sei, vou tentar descobrir. Só não vou inventar algo ou aceitar qualquer coisa sem provas só porque sou ignorante".
Só que por todo o tempo de minha vida que passei acreditando em deus e o tanto que tive de crenças, valores, preconceitos entranhandos, uma das coisas que faço até hoje é ler sobre a não-crença. Adoro visitar sites sobre ateísmo e/ou ceticismo, como atestado nos meus sites favoritos deste blog. Faço isso porque não acho que o misticismo responda as questões que tenho e mesmo que não tenha uma resposta definitiva, é lendo sobre ciência e filosofia que vou conseguir ao menos entender um mínimo sobre existência, universo, mundo, ser humano, além de poder compartilhar com outros ateus e agnósticos este ponto de vista que ficou sempre relegado à margem da sociedade. Agora, temos lugares para ler, discutir, compartilhar. E o que acontece?
Sim, os crentes (no sentido daqueles que creem), entram nestes sites para fazer proselitismo. Citam a Bíblia, falam de inferno, falam de Jesus, de recompensa, de paraíso. Entram para falar de Criacionismo, Design Inteligente, sobre os "furos" da Teoria da Evolução, do Big Bang. Adoram falar mal do que a ciência conquistou e avançou gigantemente nos últimos 200 anos. Só que... Pra que fazer isso num site de ateus? No fim, é divertido responder a esse tipo conversa, mas é um site de ateus, a maioria ex-religiosa, pessoas que viram que a religião não respondia nada além do surrado "Foi porque Deus quis assim".
Aí eu entendo porque o biólogo Richard Dawkins, um dos grandes nomes do ateísmo, diz aos ateus para "saírem do armário" e ainda: que militem e exijam respeito a não crença. Pois quando a religião é aplicada apenas dentro das igrejas e individualmente, ela não é um problema. Mas quando ela é levada em lugares que ela não cabe, isso passa a ser abuso. Isso passa a ser desrespeito. Para muitos crentes, é inadimissível que existam pessoas que não compartilhem de suas crenças, como se isso fosse impossível. Aí eles acham que é obrigação levar a palavra de seus deuses para os outros. E como estamos no Brasil, estamos falando dos cristãos. Paulo, em seus devaneios doidos, diz que os cristãos tem que fazer tudo para pregar a palavra de Jesus pelo mundo (mentir, inclusive), não importando se os outros já passaram por isso e exatamente por isso não querem mais ser importunados.
Se um ateu quer ler ou escrever sobre religião, é apenas um gosto que ele tem, assim como eu escrevo sobre música, sobre a pequena, sobre a Discovery Kids. Mas para alguns, isso é só uma "crença ressentida". Por isso, digo e abertamente: não tenho crenças. Já tive, sofri muito, especialmente com o conceito de "pecado", passei por fases horrorosas de dúvidas, medo e desconversão e hoje sou muito feliz e continuo a mesma pessoa, acho que até mais integro, já que faço as coisas porque acho que é o melhor para mim ou minha família, não por medo de pecado ou achando que vou para o paraíso.
Não quis me tornar ateu. Isso foi algo que aconteceu. Não cheguei um dia e disse: "Hoje vou deixar de acreditar em deus". Só quero que respeitem a mim e todos os outros que tem que aguentar comentários como "Ah, como alguém pode viver sem deus...", "Você sabia que Hitler era ateu", "Os maiores assassinos da história, Mao e Stalin, eram ateus", "Um ateu não tem moral ou ética por não acreditar em Deus", "Que valores uma sociedade atéia poderia passar aos cidadãos?", "Ateus não são pessoas felizes porque não tem deus no coração" e tantas, mas tantas outras que posso dizer que essas são leves. Tem as ameaças ou pragas também, como "Quero ver quando alguém da sua família ficar doente se você vai continuar a ser ateu..." ou, "Deus sabe o que faz. Ele vai estar te esperando na sua morte". Pérolas do amor cristão, como podem ver.
É isso. Só quero respeito e que acreditem no que quiserem, mas fiquem longe de mim. Não preciso de muletas, não quero preencher lacunas com figuras místicas e não tenho o menor interesse em voltar a uma igreja ou ter uma religião nova, porque meu cérebro simplesmente não aceita mais esse tipo de coisa. Para mim, agora é: "Prove que algo existe ou nem precisa começar uma discussão. Aquilo que não sei, vou tentar descobrir. Só não vou inventar algo ou aceitar qualquer coisa sem provas só porque sou ignorante".
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Os Simuladores (Los Simuladores)
Confesso que fiquei com um pé atrás quando vi o primeiro episódio, pois não tinha idéia do que iria ver. Ou melhor, tinha sim. Achei que ia ver uma série nos moldes da produções brasileiras, como Mandrake, Filhos do Carnaval, 9mm e outras séries brasileiras. Ou seja, o velho ranço com produções não estrangeiras, de preferência americanas.
Mas sendo sincero, Os Simuladores é atualmente minha série de comédia favorita, de longe. Mais do que Friends, Two and a Half Men, Scrubs ou The Big Bang Theory. Imaginem uma série que aparecem pessoas com problemas e no meio da conversa, a outra pessoa, que apenas ouve, fala de "pessoas" que podem ajudar e que eles resolvem qualquer pendenga.
A pessoa marca um encontro e de repente aparece... Santos (Logística e Planejamento). Ele ouve o problema, fala sobre os custos elevados da operação e diz que entrará em contato. No quartel general (sim, eles tem um QG), Medina (Investigação) conta detalhes do problema, fala da investigação que foi, fornece detalhes, pontos fracos de quem oprime a pessoa que pediu ajuda. Santos chega ao plano e pede a López (Técnica e Mobilidade), para providenciar o que será usado na operação. E finalmente, entra Vargas (Caracterização), com seus disfarces, dando início ao golpe.
Parece simples, parece esquisito, mas é fantástico. As situações que os simuladores resolvem são as mais triviais, como um produtor de novelas que tem que lidar com uma atriz carrasca, um menino que é ridicularizado na escola pelos colegas, uma pessoa não bem dotada esteticamente e que marca um encontro pela internet com uma beldade argentina ou até salvar a própria pele ou de seus ajudantes (sim, eles tem ajudantes, mas que chamam de colaboradores). E o que acho que é a marca do seriado: a execução dos planos, que são ABSURDAS, mas que ao serem expostas fazem tanto sentido que acabam envolvendo completamente o telespectador. Vou dar um exemplo (mas sem contar o final).
Em um dos episódios, velhinhos moradores de um asilo, cuja dona pretende vender o lugar, chamam os simuladores e o plano deles é surreal: Vargas fantasia-se de vampiro (é sério) e seduz a dona do asilo para que ela venda o terreno para ele. E o desenrolar, eu não conseguia parar de rir. Você sabe que aquilo é inverossímil, que ninguém acreditaria em algo assim, mas eles são tão convincentes, tão persuasivos que até quem está assistindo começar a levar aquilo a sério, sabendo, é claro, que é apenas um "simulacro".
Vale muito à pena, apesar de dois problemas: só passa na TV a cabo e num horário bizarro na Sony, acho que 4 da tarde no sábado, com algumas reprises espalhadas na programação.
Vale lembrar, que assim como o CQC, a idéia original e os primeiros programas surgiram na Argentina.
E claro, vai a crítica. Por que diabos não conseguem fazer algo desse nível no Brasil? É sempre favela, sertão. Nada contra isso, mas do que serve ver na hora do divertimento e lazer algo que já vemos todos os dias na rua ou nos jornais? Além disso, sabemos que o México é um país como o Brasil. Lugares muito bonitos e outros horrorosos. E ainda assim, a produção de Os Simuladores consegue mesclar os dois elementos de maneira soberba. Você tem certeza absoluta que eles estão México, mas ao contrário das séries brasileiras, isso não é o mais importante. Pra eles, o importante é a trama, não onde ela se passa. Ao contrário daqui, o cenário não é um personagem. A fotografia é muito boa e você segue o que importa, que é o enredo.
E nem venham com isso de "mostrar as mazelas". Chega de vender nossos produtos sempre baseado no que temos de pior, essa realidade que todos sabemos (e por todos, quero dizer o mundo todo), e que ao invés de combater, ficamos enaltecendo. Que me importa saber da vida de bicheiro ou de retirante, se é só olhar pela janela e ver isso? E deixando claro. Quem me conhece sabe que não sou a favor de separação de classes, de isolar o que temos de ruim ou, como ouço às vezes, tacar uma bomba na favela pra resolver isso. Só acho que a arte precisa ir além desse lugar comum que se tornou no Brasil. Só isso.
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