sábado, 11 de julho de 2009

O Homem que Calculava


Esse livro deveria ter caído antes nas minhas mãos, no fim do primeiro grau ou início do segundo (ensinos fundamenal e médio, atual e respectivamente).

É leitura riquíssima, a ser sugerida por educadores de Matemática, Literatura, Língua Portuguesa, Filosofia, História, Geografia. Infelizmente no meu caso não o foi. Não tive a sorte de contar com professores dotados de amplitude intelectual suficiente para reparar nas inúmeras lições deliciosamente narradas em "O Homem que Calculava".

Não conseguirei esgotar aqui as qualidades que reconheci no livro antes mesmo de terminá-lo. Vale destacar as impressões causadas pelo encantamento de tão agradável leitura.

Não gosto de ciências exatas: é uma das tantas crenças que carrego desde não sei quando. Grande equívoco! A partir de certa idade começamos a questionar as crenças mais arraigadas, aquelas que parecem fazer parte do nosso jeito de ser, e não fazem: são apenas crenças embasadas em uma ou outra experiência infantil, no que ouvimos de figuras de autoridade, repetições de verdades falsas.

Uma das grandes queixas de quem está na escola é a suposta ausência de aplicação prática de fórmulas, conceitos e operações matemáticas. Ingênua ilusão. O mundo gira em torno de números, cálculos, formas, medidas, etc. Isso não é bom ou ruim por si; é fato.

O Homem que Calculava apresenta essa realidade de uma maneira desafiadora, além de mostrar a aplicabilidade da Matemática no dia-a-dia. Soluciona a reclamação dos alunos e os instiga a querer saber mais.

Outro aspecto a ser destacado é a interdisciplinaridade inerente ao conteúdo do livro.

Malba Tahan não é um sujeito do Oriente Médio: é o pseudônimo de Júlio César de Melo e Souza, professor brasileiro à frente do seu tempo não só por mostrar a Matemática de modo original, como por agregar indagações relativas a outros ramos do conhecimento. O estudante curioso certamente irá buscar saber mais sobre Alá, Islamismo, Alcorão, costumes, geografia, hábitos, cultura e demais características do Médio Oriente; enriquecerá seu vocabulário e ficará intrigado com os questionamentos filosóficos não só sobre as crenças a que me referi acima, como sobre a própria existência.

Não é uma leitura exaustiva, um tratado de matemática, tampouco um manual didático.

É mais do que isso, porque toca diretamente na vontade que as pessoas têm de conhecer, aprender, saber mais. Mexer na base, nos valores é o seu principal diferencial.

Lamento por não ter lido antes, fico feliz por estar lendo agora.

É uma jóia!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Comerciais idiotas 1

Link para o comercial: http://www.youtube.com/watch?v=XFPq7MmfR5Q&feature=PlayList&p=8690242986A7EF02&playnext=1&playnext_from=PL&index=4

Um comercial com fortes toques oníricos é o das Havaianas. Parece a narração daqueles sonhos sem sentido, nos quais pessoas improváveis surgem em locais absurdos, agindo de um jeito totalmente desprovido de sentido. O comercial é assim:

Uma roda de boteco onde um dos participantes é o Marcos Palmeira(!).

Está uma cantoria e de repente chega uma mulher repreendendo o pessoal que estava cantando enquanto o mundo passa por uma crise. A criatura está indignada, se achando "A" politizada do momento e subliminarmente chamando os bebuns que estão ali se divertindo de alienados.

Notem que lugar de bebum é no boteco mesmo, onde ativista político não aparece discursando porque não seria ouvido e seria tachado no mínimo de desmancha-prazeres.

No sonho comercial, o pessoal 1) para de se divertir 2) deixa a mulher falar 3) escuta a chata 4) baixa a cabeça como se estivesse achando a intervenção dela muito oportuna.

Cabisbaixos, envergonhados por estarem se distraindo durante uma crise econômica, um deles lamenta: "Tristeza..." Os companheiros abrem um sorriso, Marcos Palmeira (de novo!) começa a batucar com um par de Havaianas (?????), e continuam "por favor vai embora/ minha alma que chora..."

A pergunta que não quer calar: QUEM BATUCA COM CHINELO DE BORRACHA???? Que som tem um chinelo de dedo batendo no outro?

Afffffffffffffff

Pequena nota 1

Pais que agridem os filhos, seja qual for a maneira que usam para fazê-lo, são tolos.

Esquecem-se de que crianças crescem e, quando crescidas, lembram das agressões - que às vezes causam marcas indeléveis em seus espíritos.

Não sejam covardes. Não caiam no erro de olhar apenas para o momento presente, como se os filhos fossem ser para sempre crianças.

Eles crescem e o retorno é certo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Quebrando juramento

Jurei que não iria escrever sobre Michael Jackson. Aqui estou, diante da perplexidade pela qual fui tomada.

A vida e a figura dele sempre me pareceram bem tristes. A morte dele, porém, está indo muito além do mau gosto.

Apresentadoras noticiando os "SORTUDOS" que ganharam "INGRESSOS PARA O FUNERAL"!!!!

Peraí: desde quando funeral precisa de ingresso? desde quando a presença de alguém em um funeral é passível de sorteio? desde quando quem "ganha" num sorteio desses é sortudo? Mórbido demais pro meu gosto! Bizarríssimo!

Para completar o "show de horrores" (trocadilho?), um show MESMO, com artistas cantando e tal, no mesmo palco que o caixão com o morto dentro!!!!
Acho que vou vomitar!!!

O mundo parece ter se esquecido de que há o corpo de uma pessoa ali, já que o ícone suplantou o caráter humano do indivíduo.

Não sou uma fã, mas sou uma pessoa.

Que depois do circo, ele descanse em paz!

Cuidado com o que você lê, vê, ouve...

Tenho acompanhado a imprensa anunciar como verdade incontestável que houve um golpe de Estado em Honduras.

É mentira!

Quem procurar a Constituição de Honduras (agora é fácil de encontrar até mesmo em português) verá que Manuel Zelaya está longe de ser a vítima pintada pela mídia.

A ideia dele era realizar um referendo para possibilitar sua reeleição - o que a Constituição proíbe.

Quem "incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República" perde a qualidade de cidadão. A atitude também está descrita como delito de traição à Pátria. Foi o que aconteceu com Zelaya.

O Judiciário declarou o referendo ilegal. O chefe do Exército, cumprindo a Constituição, não entregou as urnas e foi destituído do cargo pelo Presidente, sendo posteriormente reconduzido pelo Judiciário. Zelaya disse que não acataria a decisão judicial.

Resultado: Zelaya foi preso. Roberto Michelleti, presidente do Congresso, assumiu em seu lugar, como determina a ordem constitucional hondurenha.

Golpe haveria se o referendo se realizasse, uma vez que é proibido pela Constituição.
Golpe haveria se o desejo do Presidente se sobrepusesse ao comando constitucional.
Golpe haveria se a desobediência civil prevalecesse sobre o Estado de Direito.

O Exército agiu em defesa da Constituição. Associar "exército" com "golpe" ou " ditadura" é fruto de desinformação (ou de informação mal-intencionada).
Em novembro haverá eleições em Honduras. Torço para que o atual Presidente resista às pressões internacionais e se mantenha no cargo até a escolha popular.
Ditaduras e golpes, sejam de direita ou de esquerda, não são instrumentos justos para se alcançar o poder.

Em tempo: o que a mídia tem mostrado sobre o caso é revoltante. Um exemplo que me ocorreu agora (chegou a ser risível) foi a cobertura dada pelo Fantástico da tentativa de pouso do avião de Zelaya em Honduras. A câmera filmou os manifestantes bem de perto (para parecerem muitos) e disse que eram " milhares". Duvido!

Os jornais brasileiros de maior repercussão noticiam "golpe", referem-se ao "presidente deposto" (coitadinho!), e não explicam detalhadamente o que de fato acontece.

Portanto, cautela.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O ovo e os deuses

Estudos científicos revelam que o ovo faz mal à saude.
Estudos científicos revelam que o ovo faz bem à saude.

Os pretensamente racionais escarnecem de Deus e do desconhecido, mas idolatram a ciência. Pfffffffff

A Deusa Ciência, que satisfaz suas inquietações com verdades débeis ancoradas em provas momentâneas, até que apareça outra " verdade comprovada por estudos científicos".

A ciência é para os esclarecidos.
A fé é para os tolos.

Coerência

Não levanto bandeiras.
Não defendo ideologias.
Não meço milimetricamente todas as palavras que saem.
Não tenho ídolos.
Reservo-me o direito de mudar de ideia.
Às vezes creio, às vezes sou tomada por ceticismo, a maioria das vezes humildemente não sei.
Assumo posturas e volto atrás se assim me aprouver.
Tiro lições do que acontece.
Aprendo, aprendo e aprendo (é o propósito da existência).
A partir de certa idade, cada um é responsável por si.
Julgo e sou julgada pela ação ou pela inércia, pela arrogância, pelo orgulho, pelo silêncio, pela palavra, por ser ou por não ser. O juízo compete a cada um enquanto não se transforma em cobrança. A cobrança me agride porque me invade. Se sou responsável por meus atos, a ninguém cumpre me cobrar.
E continuo aprendendo.