sexta-feira, 25 de maio de 2012

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"Não entre em pânico" - Assim diz a capa do Guia do Mochileiro das Galáxias -
um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele. Apesar disso, é um livro realmente extraordinário. Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor, editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também. O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo bestseller, mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem É Esse Tal de Deus Afinal? Em muitas das civilizações mais tranqüilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Guia do Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositóriopadrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.
Sim. Com esse prefácio esquisitíssimo, começa o "Guia do Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adams. E, confesso, fui um daqueles preconceituosos que evitaram ler ou entrar em contato com a obra simplesmente por ter virado um best-seller, apesar do critério do tempo já estar transformando-o em um clássico (ao menos imagino). Lembro que vi o filme e achei engraçado, mas era uma onda da molecada ler o livro e ficar falando que eu acabei sendo chato e deixei de lado. Até que ao começar a ler sobre ateísmo, comecei a ver citações do Douglas Adams e muita gente comentando sobre o caráter cético e debochado. Acho que duas citações do livro me chamaram a atenção:

Ora, seria uma coincidência tão absurdamente improvável que um ser tão estonteantemente útil viesse a surgir por acaso, por meio da evolução das espécies, que alguns pensadores vêem no peixe-babel a prova definitiva da inexistência de Deus.
O raciocínio é mais ou menos o seguinte: 'Recuso-me a provar que eu existo', diz Deus, 'pois a prova nega a fé, e sem fé não sou nada.'
Diz o homem: 'Mas o peixe-babel é uma tremenda bandeira, não é? Ele não poderia ter evoluído por acaso. Ele prova que você existe, e portanto, conforme o que você mesmo disse, você não existe. Q.E.D.'
Então Deus diz: 'Ih, não é que eu não tinha pensado nisso?' E imediatamente desaparece, numa nuvenzinha de lógica."
E a outra:
"Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?"

São dois trechos preciosos em meio a tantos. O nome deste post, inclusive, é algo engraçadíssimo, mas não vou explicar o motivo, pois vale a leitura. E o que falar de Zarquon, o profeta? Impossível não ser remetido ao Deus abrâmico, Jesus e demais pregadores do deserto.

Hoje, 25 de maio, é o Dia da Toalha, celebrando a vida de Douglas Adams (apesar desse dia ser de seu falecimento). Ou seja, se ver algumas pessoas andando por aí com toalhas no pescoço ou a tiracolo, haja naturalmente. São apenas aqueles que sabem que a qualquer momento podem pegar uma carona pelo espaço. E, como se sabe, uma toalha é o item mais útil em uma viagem espacial.


A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro. E entre inúmeras outras funções, naturalmente, pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.
Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc, etc.
Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Espaço Interplay

Ciência fora de casa. Que fantástico.

Vimos um anúncio no Guia Floripa falando sobre uma exposição que iria falar sobre a Lua. Na verdade, era isso:


Viagem à LuaDe 2/5 a 2/8
O museu interativo sobre o espaço sideral ensina de forma dinâmica como funciona o foguete e como construir um de brinquedo utilizando garrafas de plástico. Com imagens em 3D e mesa interativa de jogos, o Espaço Interplay contextualiza historicamente a conquista da lua, abordando alguns mitos e fazendo divertidos experimentos. 
Local: Espaço Interplay - Shopping Iguatemi - Av. Madre Benvenuta, 687 - Santa Mônica.
Horário: Não divulgado.
Valor: Não divulgado.
Informações e inscrições: (48) 3235 - 3325 ouespacointerplay.com.br

Como não atentamos para a data, acabamos indo no Shopping Iguatemi. Na verdade, tínhamos ido ao Beiramar Shopping, em um evento da Galinha Pintadinha. Mas como todas as entradas estavam esgotadas (!!!) e não tinha mais como ir naquele dia, acabamos indo pro Iguatemi, ver a Lua.
Mas, não era dia de lua cheia e tivemos que nos contentar com algo mais simples: o "Espaço Sensorial". É algo relativamente simples, se analisarmos. Eles criam, usando pouca coisa, salas que estimulam todos os sentidos. Foi surpreendente, por exemplo, a primeira sala e a sensação de amplitude feita com cabos de fibra ótica e espelhos. Não vou entrar em detalhes, porque a surpresa ajuda muito também. Pra quem tiver interesse: http://www.espacointerplay.com.br/espaco-sensorial.html

Foi um momento divertido e que acabamos passando bastante tempo no lugar. Ao sair (e ao chegar no lugar também),  percebemos que aquilo era uma loja. Mas não uma loja comum: é um espaço para brinquedos científicos e um lugar para as crianças brincarem e ao mesmo tempo desenvolverem gosto pela ciência e senso crítico! Óbvio que eles querem ganhar o dinheiro deles, mas nunca havia visto nada parecido. Aliás, a loja já é diferente pelo fato de você descer uma escada rolante e já chegar nela.
E brinquedos que vão dos clássicos quebra-cabeças lógicos até kits que a própria criança pode montar uma boneca. É sério: a criança, com a supervisão de um adulto, pode colocar o cabelo na boneca, fazer a roupa, o rosto, etc.

Vale à pena checar o site: http://www.espacointerplay.com.br/ e sinceramente, parabéns aos donos da loja por essa iniciativa. Eu espero, sinceramente, que dê certo. O estímulo à ciência é tão pouco na maior parte do mundo, que eu fico emocionado só de pensar que existe um lugar assim.

No fim, ainda não fomos na "Lua". Mas a quem se interessar, segue o folder do evento:

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Instrumental SESC Brasil

Esta é ouro: para quem gosta de música instrumental, como jazz, chorinho, tango, samba, MPB, existe um programa que passa no canal do SESC, chamado SESC Instrumental. Mas além disso, para quem não tem este canal, eles disponibilizam em um site TODOS os shows gravados: http://instrumentalsescbrasil.org.br/

Exemplos do que tem disponível: a banda de jazz do Luis Fernando Veríssimo (Jazz Seis), grandes bluesmen brasileiros como Nuno Mindelis e Flávio Guimarães, os grandes e importantes instrumentistas do Zimbo Trio, as bandas de Wagner Tiso e Nelson Ayres, a Banda Mantiqueira, músicos de destaque como Lan Lan, Hermeto Pascoal, João Donato, Ed Motta, Francis Hime, Altamiro Carrilho, Pepeu Gomes, Renato Borghetti, Yamandu Costa, Toninho Horta. Além de coisas novas e diferentes como Guizado (achei ótimo), Jogando Tango, Martinez JazzFunk, The Dead Rocks (ótima banda de Rockabilly), Sandro Albert Quartet, Ladies Instrumental e Claire Michael Quarter.

Uma amostrinha:

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Movimento Rápido dos Olhos?

No meu caso, foi totalmente R.E.M. (Rapid Eye Movement). Eu pisquei e eles terminaram a banda. Mais uma que vou ter que me contentar com as gravações apenas, sem saber o que é um show ao vivo. Claro, isso é egoísta. Afinal, eles que sabem da vida deles, mas pelo que vejo nos youtubes da vida, devia ser um baita de um show...

Bom, que Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck tenham feito a decisão certa e sejam muito felizes. Mas, óbvio, vou ficar torcendo para que isso não seja definitivo. :)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Michael Bublé

Por que diabos eu gosto de Michael Bublé? Eu sei que as pessoas acham ele cantor para adolescentes (o que fica bem claro nos shows dele), mas... Ele canta os standards do jazz. Ele tenta manter uma certa tradição nas músicas dele. Tem coisa que não consigo ouvir dele, mas a versão dele de "I've got the world on a string" é sensacional. Até as músicas mais pop, como "Everything" ou "Home" são bonitas.
Vejo um cantor cada vez mais maduro e que encontrou seu nicho. Ele sabe que é um cantor pop, mas que pode se permitir estar perto de Frank Sinatra, Tony Bennett ou Perry Como. Óbvio que ele não vai cantar só os standards, mas ele está ali sempre, flertando, subvertendo clássicos do rock como "Crazy Little Thing Called Love" do Queen e "Can't Buy Me Love" dos Beatles ou do Soul, como "Feeling Good", na voz de Nina Simone ou "How Sweet It Is" na voz de Marvin Gaye (originalmente do James Taylor). Ele está ali, sendo agradável com sua voz suave, seus scats, sua presença de palco. Dá pra ver como ele interage bem com a platéia, algo que Sinatra fazia muito bem.
Eu tinha uma certa vergonha de falar que ouço (e gosto muito do Bublé), mas e daí? O cara, como dizem em inglês, é o pacote completo. Tem uma voz bonita, gosta de inovar (ainda que dentro da roupagem pop), arrisca aqui e ali no jazz. Um crooner dos tempos modernos.

domingo, 5 de setembro de 2010

Rock com Ciência

Ajudando a divulgar o programa de rádio de um colega do Clube Cético (o Rubens, vulgo Zaphod Beeblebrox): http://biociencia.org/rockcomciencia/?p=49

Aí você pode baixar o podcast do programa e ver quem são os apresentadores.

Eu ouvi e gostei bastante. Um clima muito leve e uma bela idéia do que é a ciência, algo que eu realmente sou apaixonado, apesar de não ser um cientista e nem almejar ser.

sábado, 4 de setembro de 2010

O futebol que de foot só tem 3 lances - parte 1 - resumo do jogo


Sei que é clichê falar o "futebol da bola oval", por isso não vou falar sobre isso. Porradaria, gente correndo, trogloditas esmagando jogadores menores. Aí vem um cara e joga a bola longe, alguém recebe e saí correndo para chegar perto da trave em formato de "Y". Aí todo mundo comemora, entra um cara para chutar a bola. Aí chutam a bola, todo mundo corre pra pegar o cara que vai receber ali na frente. E de repente, depois de algumas pancadas, porradas, jogadas, entra de novo o cara do chute, mas desta vez vale 3 pontos. Que diabos é isso?

Bom, eu costumo chamar o futebol americano de xadrez com toques de crueldade. Sério. Pra quem não conhece o esporte, só deve parecer o que está acima mesmo. Mas quem começa a acompanhar a sério, começa-se a entender todo o aparato que compõe uma equipe e quantas pessoas estão envolvidas em apenas um jogo. Vou dar alguns números de uma equipe da NFL (National Football League):

- 53 jogadores compõe um elenco, entre ataque e defesa
- 45 jogadores são "ativados" para uma partida, sendo que existe uma exceção para o quarterback no 4o período, caso os outros dois se contundam.
- além destes jogadores, as equipes podem ter mais 8 jogadores no que é chamado de "Practice Squad", que seria um banco de jogadores jovens que a equipe pode dispor durante a temporada tanto para o desenvolvimento do jogador, quanto para eventuais substituições na equipe titular.
- toda equipe tem um treinador principal, um treinador para o ataque, outro para a defesa e mais um para as equipes especiais. Além deles, existem treinadores específicos para cada posição, que podem chegar a mais 8.
- o teto salarial de cada equipe na temporada 2009 foi de US$ 128 milhões, divididos entre esses 53 jogadores.

Ou seja, é gente e grana que não acaba. E a NFL ainda é a liga mais valorizada de todas as principais nos EUA (NBA, MLB, NHL, MLS). Mas afinal, do que trata o esporte?

O objetivo principal de uma equipe de futebol americano é obter o maior número de pontos durante o jogo dividido em 4 quartos de 15 minutos. Para tanto, existem algumas maneiras:

- o famoso "Touchdown", que confere 6 pontos a equipe anotante, com direito a um ponto extra obtido por um chute por entre a trave de "Y" ou a chance de anotar 2 pontos, tentando uma jogada qualquer. O touchdown é qualquer jogada ofensiva ou defensiva em que a equipe consegue chegar àquela área próxima a trave de "Y" da outra equipe, a chamada "End Zone".
- o "Field Goal", que são 3 pontos, pois a equipe chega a uma situação que ela não consegue atingir a end zone e decide chutar por entre a trave em "Y" do lugar de onde está. Obviamente isso só é possível se seu kicker (chutador), tiver força e mira suficiente para acertar. Não adianta querer chutar a partir de seu campo, pois o recorde atual da liga é 63 jardas e poucos conseguem passar de 60. Normalmente, o alcance de um kicker fica entre 50 e 55 jardas, com ajuda do vento.
- o "Safety"(não confundir com a posição): o safety é algo raro de acontecer, mas é possível. Acontece quando um jogador do time que está com a bola é derrubado em sua própria end zone. Com isso, a equipe defensora recebe 2 pontos e a posse de bola.

Falando em posse de bola, a dinâmica de jogo seria mais ou menos esta:

- as equipes tiram um cara-ou-coroa para decidir que equipe começa recebendo ou chutando.
- uma equipe chuta a bola, o chamado "kickoff", que dá início à partida. Temos então a equipe que chuta e a equipe recebedora. O time que recebe vai fazer o possível para permitir que o jogador que recebeu a bola possa avançar o máximo possível em direção ao campo adversário e a equipe que chutou vai fazer o possível para tentar evitar esse avanço. A partir do momento que o jogador que recebeu e tentou avançar é derrubado, o ataque começa a partir daquele ponto. Porém, se ninguém conseguir derrubar o recebedor e ele conseguir chegar até a end zone adversária, é um touchdown.
- caso o jogador tenha sido derrubado, começa o ataque da equipe que recebeu primeiro. Como dito anteriormente, o objetivo primordial é marcar mais pontos e o touchdown é a maneira mais fácil de se obter isso. Porém, em um campo com 100 jardas nem sempre é possível conseguir tudo em apenas uma jogada. Por isso, o primeiro objetivo dentro da partida é conseguir obter 10 jardas em 4 jogadas. Parece simples, mas se após essas quatro jogadas você não conseguir avançar, você tem que dar a bola para o adversário onde você estiver. Ou seja, você pode ter que defender-se do ataque adversário em uma posição de campo terrível. Por isso, o habitual são 3 jogadas para tentar avançar e se não for possível, a equipe que está atacando devolve a bola para o adversário através de um chute muito longo e alto chamado "punt", no qual o "punter" pega a bola com as mãos e chuta, ao contrário do kickoff e do field goal, que são chutados a partir do chão.
- caso o ataque consiga avançar as 10 jardas em 3 jogadas, a equipe vai indo em frente até chegar na end zone adversária. Obviamente a equipe não precisa pensar em atacar de 10 em 10 jardas apenas. Como sabemos, o objetivo é o touchdown e passes longos e corridas em velocidade são sempre bons meios para conseguir mais do que 10.
- caso a equipe que está atacando não conseguir atingir 10 jardas em 3 jogadas, mas a distância seja o suficiente para que o kicker possa entrar e chutar entre a trave em "Y", a equipe tenta o field goal na 4a jogadada. Se conseguir, 3 pontos. Se não, a equipe adversária vai para o ataque no ponto que o chute foi dado.
- porém, sendo anotado um field goal ou touchdown, a equipe que pontue dá a bola então para o adversário fazer seu primeiro ataque, novamente na forma de um kickoff.
- E por aí vai. Tudo MUITO resumido, é claro.

Aqui, um pequeno exemplo de jogadas. Um highligh de San Francisco 49ers x Minnesota Vikings da pré-temporada de 2010 no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=s2gUjxHoZ9o

E logo posto mais. Ainda quero falar das formações ofensiva e defensiva, bem como as posições.